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A 'comunicologia' e as modas 'pós-modernas'
Autor: Orlando Tambosi (*)

A discussão, neste Observatório, entre "comunicólogos" (que detestam o termo, mas querem que os alunos de jornalismo se tornem "comunicadores") e jornalistas tende a repor a velha oposição entre "teoria" e "prática". Os que defendem práticas específicas para a formação dos jornalistas (em laboratórios de texto, televisão, rádio, etc. ) seriam "tecnicistas", como se, para "fazer" – ou seja, escrever, editar, falar –, fosse necessário deixar de "pensar". Aos "teóricos", por sua vez, caberia o exercício de uma atividade mais nobre e, ao que parece, exclusiva: a reflexão crítica.

Não é bem o que ocorre. Colocada nesses termos, a discussão passa longe da questão que realmente interessa: o que se passa com a "teoria" (geralmente grafada assim, no singular) nas Escolas de Comunicação? A pergunta, na verdade, vale para todas as assim chamadas ciências humanas.

Em tais escolas, disciplinas teóricas são, além da teoria da comunicação, as abordagens interdisciplinares que se valem da antropologia, da sociologia, da história, da crítica literária, enfim, das ciências sociais e das humanidades. Boa parte delas, diga-se logo, mergulhadas em profunda crise desde o final dos anos 60 e hoje cultivando modas intelectuais importadas de Paris e Nova York.

Dos EUA, os nomes preferidos são Aronowitz, Shapin, Ross, Sandra Harding, Donna Haraway, Helen Longino, Seyla Benhabib, Evelyn Fox Keller, amplamente citados em teses acadêmicas. Mas os franceses Foucault, Deleuze, Guattari, Baudrillard e Latour são alguns dos nomes mais festejados – estes, justamente criticados pelos físicos Alan Sokal e Jean Bricmont em seu livro Imposturas intelectuais (Rio de Janeiro, Record, 1999). Coisa de "francófobos", limitaram-se a desconversar os filósofos franceses.

Teoria da devastação

Estamos no coração da cultura "pós-moderna" – hostil a noções como "objetividade", "realidade", "verdade" –, para a qual o "real", os "fatos" que as ciências buscam conhecer, não passam de "construtos sociais". Mero discurso ou "narrativa", a ciência é ideológica, isto é, instrumento de dominação de uma civilização "branca", "eurocêntrica", "opressora", "machista", "heterossexual" etc. (a respeito, ver também Higher superstition. The academic left and its quarrels with science, de Paul Gross e Norman Levitt, Baltimore, John Hopkins University Press, 2ª ed., 1998 – livro que, aliás, inspirou Sokal e Bricmont).

Aqui campeiam o relativismo, os multiculturalismos, o construtivismo, o ecofeminismo, os estudos culturais, as leituras de "gênero". Privilegiam-se o intuitivo, o mágico, o místico, o irracional, o marginal, e abrem-se as portas da academia para a new age, as bruxas, o tarô, o ocultismo, temas freqüentes entre alguns "comunicólogos", notadamente os de formação antropológica. O resultado é devastador.

Submetidos constantemente a tais modas – quando não a imposturas – que lhes são transmitidas como "teoria", não é de estranhar que alunos de comunicação dediquem-se a discutir, em seu encontro deste ano, nada menos que "O sexto sentido" (!). Também não espanta a condenação, inclusive dentro das universidades, da ciência e da técnica, da racionalidade e da secularização, "desencantadoras do mundo": não por acaso, fenômenos produzidos pela modernidade. Afinal, não é o "pós-modernismo" justamente esse conjunto de atitudes estilísticas e julgamentos contrários à modernidade (em especial, ao que ela herdou do Iluminismo)?.

É a essa devastação, e não à "teoria" em geral (porque há teorias e teorias), que se opõem alguns setores nas universidades. E é isto que move, no fundo, o debate entre os chamados Cursos de Comunicação Social (com suas várias habilitações e que, às vezes, menosprezam atividades específicas do Jornalismo) e Cursos de Jornalismo como o da Universidade Federal de Santa Catarina (com sua habilitação única, voltada especificamente para o jornalismo).

A maioria dos professores deste último – injustamente reputado como "tecnicista" – não menospreza as técnicas jornalísticas nem é contrária a uma boa formação teórica para seus alunos. Que jornalista poderia, sem conhecimentos científicos, filosófico-epistemológicos, éticos e estéticos, analisar e compreender a realidade?

Isto, e não as modas culturais "pós-modernas" (calcadas em concepções toscamente relativistas e anticientíficas), é boa teoria.

(*) Professor de Filosofia e Ética do Curso de Jornalismo da UFSC e autor de O declínio do marxismo e a herança hegeliana, Lucio Colletti e o debate italiano (1945-1991), Florianópolis., Edit. da UFSC, 1999

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/da200799.htm

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